O português não tá cansado: não apenas um título (que «pedimos emprestado» a Sam the Kid) mas um manifesto ou, se se preferir, um desafio numa conjuntura civilizacional difícil: o triunfo universal do inglês como língua-franca do mundo da globalização e da internet (patente, por exemplo, nas leis impostas aos outros idiomas na própria escrita de endereços em www: nada de acentos, nada de cedilhas); a situação complicada do português como língua de cultura, com peso muito desigual na América do Sul, na África ou na Europa; e, no que toca à nossa situação universitária, a «crise das Humanidades», o pouco apelo de cursos que fazem da formação de professores uma das suas funções sociais inalienáveis, mas que se deixaram enredar em excesso no exclusivismo da via de ensino.

Mas também uma afirmação enfática e enérgica: O português não tá cansado quer dizer que em tempo de crise a saída não é, seguramente, reforçar os lamentos sobre a crise mas sim, e muito ao invés, fazer coisas. Como, modestamente, este blogue. E outras que nele se anunciarão e ainda outras para que ele pode vir a desempenhar um papel importante: criar uma rede alargada de interlocutores sobre o mundo dos estudos portugueses e lusófonos, forçar as pessoas a manifestarem-se em defesa de um património rico – uma língua em todas as suas variedades, um corpus de textos, um conjunto de práticas educativas -, levar estudantes e professores a escrever sobre a sua escola, a sua aprendizagem, a sua profissão, os muitos mundos e problemas que cabem numa escola e numa cultura.

Um blogue, como se sabe, é um meio de desgaste rápido e que exige doses redobradas de militância e imaginação (duas palavras cujo significado, cremos, neste caso se confunde). Ainda para mais tratando-se de um blogue de um curso, o que não permite todas as liberdades – embora, é nossa convicção, possa permitir uma boa dose delas. Contamos, pois, com a imaginação militante de todos para que blogue e curso possam vir a ser pelo menos uma pequena parcela de tudo aquilo que é dever de todos desejar e exigir.

 

P.S. Este blogue está aberto a comentários mas estes serão objecto de moderação prévia, sendo apenas publicados aqueles que os administradores entenderem não ferir as regras básicas de conduta exigíveis a uma prática cívica decente.