Novembro 2008


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Como ficou dito aqui, estudantes e professores de Estudos Portugueses e Lusófonos, mas também alunos Erasmus, de Línguas Modernas e de pós-graduação, farão uma visita de estudo à exposição Weltliteratur, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A única alteração ao previsto é a data, que passou, por dificuldades de organização, de Novembro para Dezembro.

Informa-se, pois, todos os inscritos na viagem de que devem comparecer no Largo de D. Dinis, ao cimo das Escadas Monumentais, pelas 8h30m, no próximo dia 3 (quarta-feira). Solicita-se a rigorosa pontualidade de todos. Está previsto que a viagem de regresso se inicie pelas 17h, na FCG.

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Sobre o filme de Laurent Cantet, justo vencedor do Festival de Cannes, Ana Bela Almeida publicou neste blogue o post Uma questão de intuição. Agora, num dos blogues mais singulares deste país, O Mundo Perfeito, Isabela, nome (ou pseudónimo) de uma professora da margem sul, apresenta as razões da sua discordância em relação a Ana Bela, em post intitulado O maior drama do mundo civilizado.

A ler, por todas as razões. Mas sobretudo porque o texto de Isabela nos mostra que uma questão de gramática nunca é apenas uma questão de gramática.

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O Instituto de Língua e Literatura Portuguesas acaba de editar as Actas das III Jornadas Científico-Pedagógicas de Português, sob o título genérico de Os programas de Português dos Ensinos Básico e Secundário.

O volume, que foi organizado por Cristina Martins, Albano Figueiredo, Isabel Pereira – todos docentes do curso de Estudos Portugueses e Lusófonos – e Luísa Azevedo – antiga docente colaboradora do I.L.L.P. na área de Didáctica de Língua e Literatura Portuguesas –, reúne um conjunto de treze estudos que, conforme poderá verificar-se pelo índice, abordam temas e aspectos de grande actualidade e que inicialmente se constituíram como pontos de partida para as reflexões apresentadas tanto na conferência de abertura como nas várias oficinas temáticas que decorreram no âmbito do Encontro (em finais de 2005).

O volume poderá ser adquirido no balcão de venda de publicações da Faculdade de Letras (4º. piso) pelo preço unitário de € 9. Os participantes nessas Jornadas beneficiarão de um preço exclusivo de € 7, bastando identificar-se como tal aquando do acto de compra.

Os organizadores disponibilizam-se desde já para prestar qualquer esclarecimento sobre a publicação (jpedagogicas3@fl.uc.pt), que, entre outros objectivos, quer assumir-se como contributo do I.L.L.P para o contínuo processo de formação e consolidação científico-pedagógicas da comunidade docente dos Ensinos Básico e Secundário.

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Estava eu a reler um texto de Sílvio Elia sobre A língua portuguesa no mundo, de que o Instituto Camões disponibiliza um excerto na sua página, e a perceber por que motivo somos lusófonos desanimados, quando me cai em cima do portátil a contradição flagrante de tal desânimo: a notícia de que a nossa língua representa 17% do PIB.

Chamo desânimo à ideia de uma crise que tomou conta do ensino e da aprendizagem do Português, na sua variante mais repelente: a de que em pouco morreremos por falta de clientela. Não pude deixar de o evocar perante o texto de Elia, em que o espaço geolinguístico do Português aparece como uma unidade que se subdivide em cinco «faces», as suas cinco primeiras «variedades» (em sentido empírico): a Lusitânia Antiga (Portugal, Madeira, Açores), a Lusitânia Nova (Brasil), a Lusitânia Novíssima (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné e São Tomé e Príncipe), a Lusitânia Perdida (na Ásia) e a Lusitânia Dispersa (as comunidades migrantes espalhadas pelo mundo).

Numa perspectiva cronológica – o artigo é de 1989 – compreende-se que assim seja: o país que é hoje Timor não existia, pouco ou nenhum conhecimento haveria sobre as comunidades migrantes (pelo menos no sentido massificado e mediático que se dá hoje à palavra «conhecimento») e, na falta de qualquer outro critério, a data de nascimento dos Estados serviria para classificar as faces da Lusofonia. Outra é a realidade de hoje, quase vinte anos passados, mas creio que estas identidades ainda perduram. Parece-me que, se desanimados estamos, é porque continuamos a ver-nos como uma língua velha, perdida e dispersa.

Portugal assume-se assim como o velho avô que poucos escutam porque, muito francamente, ninguém tem paciência para as suas histórias. Por contraste, as nações brasileira e africanas aparecem como grandes estados pujantes e plenos de força, a que se junta um bebé despontando lá longe, mais ou menos no sítio onde o vento vira… perdão! onde o sol desponta.

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No início era uma cidade com uma universidade muito antiga, da «família», digamos, da de Coimbra ou Salamanca. Depois, o topónimo usou-se associado a um modo de confeccionar a pasta: «à bolonhesa»… De há uns anos para cá, é um formato europeu de curso do ensino superior, quer na universidade quer no politécnico. Muito debatido no início do processo, depois menos, mas ainda hoje não inteiramente pacífico.

Com «Bolonha» vieram coisas novas e termos novos. Por exemplo: Avaliação da Qualidade, Créditos ECTS, Contrato de Estudos, Europass, Mestrado Integrado, Programa Sócrates-Erasmus, Unidade Curricular…

Agora, quem tiver dúvidas sobre estes termos mais ou menos mágicos – e quem as não tem? -, pode consultar, na página da Universidade Nova de Lisboa, um Glossário do Processo de Bolonha. É de aproveitar. E de saudar quem teve a ideia de o produzir e colocar na net.

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Um dos momentos-chave do filme A Turma (Laurent Cantet, 2008) encontra-se na cena em que, repreendida a turma por não fazer a distinção entre o registo escrito e o oral nos seus textos, a aluna pergunta ao professor: “Como é que sabemos quando usar um ou o outro?”. O professor parece surpreendido com a obviedade da pergunta, como se esta não fosse realmente necessária: “É uma questão de intuição”. Acontece que a intuição, ao contrário do que se infere do discurso do professor, não é uma condição natural. A vida daqueles miúdos, que vivem a 30 minutos de Paris e nunca lá puseram os pés, não lhes confere “naturalmente” essa intuição. Sabem que existe aquela a que chamam “a linguagem dos burgueses”, mas não lhes pertence, a deles é a MTV e a Playstation. Aquilo que eles são, a vida deles, não é compatível com o discurso escrito, com a escola. E a escola não pode substituir-se à vida deles, não pode ensinar-lhes aquilo que deveriam ser, por “intuição”. E assim, professor e alunos são reféns de um desencontro que talvez não possam e não lhes caiba resolver. A última cena do filme – a sala de aulas vazia, as cadeiras tombadas e o silêncio a tomar conta de tudo – parece querer dizer-nos que a trégua tem que ser procurada algures lá fora, do outro lado dos muros.

[Também aqui]

 

Ana Bela Almeida
Ex-aluna de Estudos Portugueses na FLUC, leitora de Português em Santa Barbara (Califórnia), Vigo e Corunha, prepara doutoramento a apresentar à Universidade da Corunha.

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A forma como os pormenores de gestão de conflitos podem influenciar de maneira vital uma aula é surpreendentemente impressionante para um principiante. As escassas semanas de trabalho que tenho nesta profissão já foram suficientes para perceber que, de facto, a capacidade de gerir eficazmente uma sala de aula é uma das mais importantes competências que um professor deve procurar adquirir. Dois episódios ocorridos há dias nas Escolas do 1º. Ciclo de Paço e Botão (onde lecciono Inglês no âmbito das actividades de enriquecimento curricular) provam isso mesmo.

Com o aproximar do final da unidade «Face», decidi realizar uma aula de carácter prático que ao mesmo tempo motivasse os alunos e servisse de revisão aos conteúdos abordados nas duas últimas semanas. Previamente, pedi aos alunos que recolhessem da imprensa um retrato de um dos seus ídolos. Na sala, era pretendido que estes legendassem a imagem de acordo com os conteúdos aprendidos e, em seguida, descrevessem em público as feições do ídolo que haviam escolhido.

Se em teoria a aula parecia de clara execução, na prática os resultados não foram tão exequíveis quanto eu gostaria.

Na escola de Botão, o facto de dois terços dos alunos não terem trazido o material necessário foi, desde o início, um sinal premonitório do que iria ocorrer. Em parte, este facto deveu-se a uma falha minha. Habituado do ano de estágio a lidar com adolescentes de treze e catorze anos, não previ que a semântica da palavra «ídolo» era ainda inacessível para um determinado número de alunos. Como resultado, grande parte deles não cumpriu a actividade prévia de recolha do material. No entanto, à precaução, fui para a aula munido de jornais e revistas variados modo a que ninguém ficasse sem «matéria-prima».

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