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A um olhar afeito a  imagens medievais, o  banner do blogue acorda memórias textuais de um tempo outro, remoto e diverso, em que aves canoras, policromas, de beleza indizível, povoavam o paraíso terreal ou delimitavam a fronteira entre o espaço terrestre e o divino.

Assim com o “O monge e o passarinho”, celebrado nas Cantigas de Santa Maria, de Afonso X (1221-1284), em que o devoto da Virgem quedou trezentos anos ao “canto da passara”, num êxtase compensatório do fervoroso desejo de conhecer o paraíso. A sedução pelo canto que imobiliza o tempo, contemplativamente indiferente à inexorabilidade humana, antecipa os gozos do Além e cria no vulgo a ânsia de um ideal que não está ao alcance do seu olhar.

 

Como Santa Maria feze estar o monge trezentos anos ao canto da passara, porque lle pedia que lle mostrasse qual era o ben que avian os que eran en Paraiso.

Pode comprová-lo lendo o poema e vendo o fac-símile.

 

Ana Maria Machado