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No final do ano de 1978 publicou-se uma das obras mais enigmáticas da literatura portuguesa do século XX: Finisterra. Paisagem e Povoamento, de Carlos de Oliveira. Enigmática e longamente aguardada, dado que a produção romanesca de Carlos de Oliveira se detivera em 1953, ano de edição de Uma Abelha na Chuva. O romance que, um quarto de século mais tarde, prolonga e fecha a «tetralogia da Gândara», não a fecha, contudo, no comum sentido de «fechar» alguma coisa, já que culmina o intérmino processo de revisão a que o autor submeteu a sua obra desde os anos 60, reescrevendo e refundindo a sua produção romanesca (e poética).

O colóquio do Centro de Literatura Portuguesa, com apoio do Instituto de Língua e Literatura Portuguesas, «Depois do Fim: nos 30 Anos de Finisterra. Paisagem e Povoamento, de Carlos de Oliveira», que terá lugar na próxima sexta-feira, 14 de Novembro, proporá uma revisitação da «paisagem e povoamento» da obra em causa, e da forma como ela relê a obra do autor – e a literatura em geral – a partir do fim, da ideia mesma de fim e das revisões que ela necessariamente activa. As comunicações estarão a cargo de Nuno Júdice [U. Nova de Lisboa], Manuel Gusmão [U. de Lisboa], Luís Mourão [ESE de Viana do Castelo], Osvaldo Manuel Silvestre [U. de Coimbra] e Pedro Serra [U. de Salamanca]. Para ver o programa, clique na imagem.

Durante o colóquio será assinado um protocolo entre a FLUC e a Câmara Municipal de Cantanhede, com a presença do Presidente do Conselho Directivo da FLUC, Doutor Carlos André, e do Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Doutor João Moura, que visa estabelecer modalidades de cooperação entre as duas entidades em torno da Fundação Carlos de Oliveira, cuja sede será construída a breve trecho, num projecto arquitectónico que reabilitará, em termos inusuais, a casa onde o escritor residiu em jovem, em Febres, Cantanhede.

Lembramos que Carlos de Oliveira foi estudante da FLUC, tendo-se licenciado em Histórico-Filosóficas no ano de 1947.