Não é um filme, mas antes (primeira diferença significativa) um clip: uma sucessão vertiginosa de imagens/planos, um concentrado de informação. Mas é também, nessa vertigem, a aceleração temporal que se apoderou da questão da informação nas últimas décadas. Nesse sentido, é um clip muito pedagógico, uma vez que começa naquele tempo em que pesquisar informação implicava um ficheiro físico que remetia para um livro numa estante: um mundo em que a informação era uma «coisa» material e a sua indexação respondia a um modelo físico em que tudo se arruma como as coisas se arrumam, ocupando e saturando o espaço.

Depois… Bom, depois chegou o digital e a dificuldade de «traduzir» as categorias físicas herdadas de uma tradição de séculos. «Ficheiro», «biblioteca», por exemplo, passaram a funcionar como, digamos, figuras de retórica, palavras a usar entre aspas, uma vez que as realidades já não coincidiam (embora mantivessem algumas analogias significativas). E surgiram novas realidades, a exigir novas categorias e novas palavras. Pode parecer estranho, mas houve quem achasse que a internet seria um logro; e, depois, começou o problema do «mapeamento» e do controlo da internet. Mas também a autoria colectiva dos sítios e obras nela disponíveis, em realizações como a Wikipédia e outras.

O mundo mudou, pois. E nada como este clip para o percebermos e para percebermos a vertigem dessa mudança. O facto de ele nos chegar em inglês, e de o inglês ser ao mesmo tempo a língua da internet e da revolução digital, ajudam também a perceber a dimensão política do que está em jogo nesta mudança e que, por exemplo, não nos permite (ainda…) criar endereços na net com cedilha ou til. Por exemplo, não nos permitiu que o endereço deste blogue fosse nãotácansado.wordpress.com