resentidos

A nossa exploração da Galiza moderna começa com uma canção mítica que já nos anos 80 do século XX tinha sido destacada pela revista portuguesa Blitz como exemplo paradigmático do underground galego.  “Galicia caníbal” do grupo Os Resentidos, liderados pelo poeta e artista multimédia Antón Reixa, pertence aos tempos em que a “movida” viguesa estava no seu auge. O título do disco “Fai un sol de carallo”, no qual apareceu esta canção em 1986, quando foi o hit do Verão, tornou-se já numa frase feita em galego.  Os Resentidos, com os seus textos críticos e irreverentes, cheios de iconoclastias e vanguardismos, provaram que era possível cantar rock em galego e canibalizar a própria cultura. Hoje são reconhecidos, junto com os Siniestro Total, como o grupo que desencadeou toda a cena rock cantada em galego. As bandas portuguesas aperceberam-se logo do seu valor inovador: No dia 3 de Outubro de 1986, os Mão Morta e os Pop dell’Arte, actuam com Os Resentidos no Kremlin de Vigo e cantam a coro o “Galicia caníbal” (vejam também V. Junqueira: Mão Morta: narradores da decadência. Famalicão: Quasi 2004). Posteriormente, produziu-se um vídeo cheio de alusões políticas e de crítica social:

 

 

Con isto da movida / que movida / haiche moito ye ye / que de noite e de día / usa jafas de sol / FAI UN SOL DE CARALLO / a matanza do porco / mátallo carallo / a berra é o conxunto de berros / dun porco cando o van matar / san martiño oficial / de monforte ó nepal / o magosto para agosto / safaris do porco / filloas de sangue / Galicia embutida / FAI UN SOL DE CARALLO / GALICIA CANÍBAL / etiopía ten fame / un parado occidental / sostén un filete / un negro deitado / o negro non lle chega / arrastra o bandullo / o parado occidental / sostén o filete / o parado altivo / o negro non lle chega / doa os teus riles / un ril á merenda / doa os teus riles / outro ril á cea / FAI UN SOL DE CARALLO / GALICIA CANÍBAL / DOA OS TEUS RILES / MOI MAL ORGANIZADO (cit. de antón reixa: viva galicia beibe, Vigo. Edicións Positivas 1994)

Quem precise de tradução, pode consultá-la em http://apeste.blogspot.com/2008/06/galicia-canibal.html. Numa das próximas entregas oferecer-vos-emos uma interpretação multimédia & antropofágica deste fenómeno fundacional da cultura underground galega.

Burghard Baltrush