maias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois, veio o meu Eça mais, digamos, “escolar”. Pelo fim dos anos 70, início dos anos 80, ainda se lia alguma coisa nas escolas secundárias e Os Maias eram leitura “obrigatória”. Nunca gostei da expressão: para mim, a leitura não deve ser “obrigatória”, muito menos a d’Os Maias. Surgiu-me então a ideia de fazer alguma coisa de semelhante ao que eu lia em prestimosas colecções didácticas, sobretudo francesas; e tendo conversado sobre o assunto com uma antiga colega (por onde andará?), a ideia consolidou-se: a minha Introdução à leitura d’Os Maias, que publiquei, de novo na Almedina, em 1978, teve uma primeira tiragem de 12 500 exemplares,  número que obviamente achei desmedido. Mas quando verifiquei que aquela tiragem se esgotara em menos de um ano, pude confirmar a ideia de que o sagaz Joaquim Machado, com o seu faro editorial, dominava como poucos o mundo da  edição e o seu difícil mercado.

O livrinho ainda aí anda, já cansado de tanta reimpressão, de tanta fotocópia e de tantas imitações, umas disfarçadas, outras nem tanto. Vendeu, até hoje, uns 110 mil exemplares e fica na minha memória de autor como um momento decisivo em que percebi que era necessário e possível escrever claro sobre Eça de Queirós e sobre o seu grande romance.

Carlos Reis