Abril 2009


Como toda a gente sabe a vírgula é um dos sinais de pontuação mais desprezados. Há mesmo escritores jornalistas e/ou colunistas que se especializam em não a usar ou em usá-la sempre nos locais errados. E contudo tanta coisa pode depender de uma coisa tão discreta… É o que se aprende com este vídeo não sabemos se promocional se pedagógico em todo o caso profundamente terapêutico. Vejam leiam com atenção que logo perceberão a transcendência da vírgula.

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Na próxima segunda-feira, 6 de Abril, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 7ª sessão de Os Livros Ardem Mal, uma actividade do Centro de Literatura Portuguesa, na temporada de 2008/09. A convidada é Alexandra Lucas Coelho, jornalista do Público e uma das mais consagradas da sua geração, sobretudo an área da grande reportagem e da cultura, com um livro editado sobre o conflito palestiniano, Oriente Próximo (2007). O painel será constituído por Catarina Maia, Luís Quintais, Rui Bebiano e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes livros: 
 

  • A. M. Pires Cabral, Arado, Lisboa, Livros Cotovia, 2009. [ISBN 978-972-795-287-8]
  • Bénédicte Houart, Aluimentos, Lisboa, Livros Cotovia, 2009. [ISBN 978-972-795-284-7]
  • David Baggett e William A. Drumin, A Filosofia Segundo Hitchcock, Lisboa, Estrela Polar, 2008. [ISBN 978-989-8206-08-4]
  • Edgar Allan Poe, Obra Poética Completa, Tinta-da-China, 2009 [ISBN 978-972-8955-93-9]
  • Irvine Welsh, Porno, Quetzal, 2009 [ISBN 978-972-564-759-2]
  • John Keegan, A Máscara do Comando, Lisboa, Tinta-da-China, 2009. [ISBN: 978-972-8955-86-1]
  • Jonah Lehrer, Proust era um Neurocientista, Alfragide, Lua de Papel, 2009. [ISBN 978-989-23-0234-8]
  • Nuno Bragança, Obra Completa 1969-1985, Lisboa, Dom Quixote, 2009. [ISBN 978-972-20-3726-6]
  • Peter Lamborn Wilson, Utopias Piratas. Corsários mouros e renegados europeus, Porto, Deriva, 2009.[ISBN: 978-972-9250-50-7]
  • Robert Fisk, A Grande Guerra Pela Civilização, Lisboa, Edições 70, 2008. [ISBN 978-972-44-1457-7]
  • Roger-Pol Droit, O Que é o Ocidente?, Lisboa, Gradiva, 2009. [ISBN 978-989-616-297-9]
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    No posfácio à (muito gralhada) edição portuguesa de Camões, décimo capítulo de The Spirit of Romance (1910), Stephen Wilson afirma que Ezra Pound antecipa nesse texto a definição de épica que viria a cunhar no ABC of Reading (1961): “a poem including history”. Já a propósito de Paterson, Éloges ou The Cantos, disse Paul Merchant que o registo autobiográfico neles inscrito constitui a novidade da epopeia do século XX. Narrativa pessoal e história nacional são, precisamente, a matéria poética de Assomada Nocturna. Quanto à primeira, ela não representará a “Autobiografia ortónima” do poema que abre o livro; trata-se antes de uma intimidade que, projectada no coração juvenil, se torna partilhável:

    Ai noites de Assomada
    cobertas do luar
    de todas as insularidades
    derramando-se pelo regaço
    pelos cabelos brancos pela terna tranquilidade
    dos nossos donos das nossas donas
    esparramando-se pelos risos das mães de filho
    pelo precoce afago das domésticas
    pela austera severidade dos pais de família
    fundindo-se na rasa e extrovertida altivez
    nas falas várias dos filhos de Assomada
    enleadas de risos
    sob a luz turva e pardacenta
    das lâmpadas da rua
    mortiças e companheiras

    Cedendo o registo lírico e esse rosto plural do protagonista de Assomada Nocturna, poderíamos então chamar-lhe “poema de formação” (ou Bildungsgedicht). Inocência Mata esteve perto deste entendimento, quando afirmou que o tempo redivivo por NZé di Sant’y Águ “pode considerar-se a fase de «conhecimento do mundo»”; nesta estrofe, e no âmbito do Bildungsroman lusófono, “o precoce afago das domésticas” ou a “austera severidade dos pais de família” não andarão longe, por exemplo, de alguns ambientes recordados em Menino de Engenho, de José Lins do Rego.

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    portugueseschool

    Para ensinar Português Língua Estrangeira (PLE), como para ensinar qualquer língua estrangeira, a criatividade é um trunfo essencial, ainda que, como ficou exposto na primeira parte deste texto, não seja suficiente para garantir um processo de aprendizagem bem sucedido. Longe vão os tempos em que o estudo de uma língua estrangeira se concebia sob uma perspectiva exclusivamente normativa (aprender francês, por exemplo, equivaleria a aprender e aplicar as regras da gramática francesa). Hoje em dia, é comummente aceite que, no processo de aprendizagem de uma língua estrangeira, dedicar o tempo da aula inteiramente ao estudo das regras gramaticais e à resolução de exercícios não é eficaz. Tendo em conta que uma língua é um meio de comunicação – sem no entanto cair na perniciosa concepção de que o importante é que a mensagem passe, independentemente da correcção do discurso, ideia que não perfilho de todo – há quatro competências comunicacionais a desenvolver no processo de aprendizagem: ouvir, falar, ler, escrever.

    Na criação das suas actividades para a aula, o professor de PLE terá então de considerar o desenvolvimento destas quatro competências, para que os alunos alcancem um real domínio da língua portuguesa. Claro que se pode sempre defender que qualquer actividade em português é útil para alunos que não dominam essa língua: se outro objectivo não houver, os alunos estão em contacto com o português e algum proveito tirarão dessa exposição à língua. Porém, não só isso não é inteiramente verdade como, nesse caso, não estamos longe da lógica combatida no texto precedente, isto é, de que qualquer falante nativo (como o estudante erasmus que nos serviu anteriormente como exemplo) pode cumprir o objectivo de possibilitar um contacto com a língua. Reiteremos pois que nos referimos a um processo de aprendizagem de uma língua, com objectivos que são substancialmente diferentes dos do mero contacto com a língua de estudo, e que exige a presença de um professor especializado.

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